advogado-especialista

Empréstimo não contratado no Bradesco: o que fazer se apareceu uma cobrança indevida?

Perceber um empréstimo não contratado no Bradesco pode causar muita preocupação, principalmente quando começam a aparecer descontos na conta, cobranças no aplicativo, parcelas em aberto ou até risco de negativação.

Em muitos casos, o consumidor afirma que nunca solicitou o empréstimo, não assinou contrato, não autorizou a operação ou sequer recebeu explicação clara sobre a origem da cobrança.

Essa situação pode envolver falha bancária, contratação irregular, fraude, golpe, uso indevido de dados pessoais ou ausência de confirmação adequada da vontade do consumidor.

Por isso, ao identificar um empréstimo que você não reconhece, é importante agir rapidamente, reunir provas e buscar esclarecimentos formais junto ao banco.

O que pode caracterizar um empréstimo não contratado?

Um empréstimo pode ser considerado não contratado quando o consumidor não reconhece a operação ou quando não houve autorização válida para a contratação.

Isso pode acontecer, por exemplo, quando:

O consumidor não solicitou o empréstimo

O cliente acessa a conta e percebe que existe um contrato de empréstimo ativo, mesmo sem ter feito qualquer pedido.

O valor foi creditado sem autorização 

Em alguns casos, o dinheiro aparece na conta do consumidor sem que ele tenha solicitado ou autorizado o crédito.

Há descontos mensais indevidos

O banco passa a descontar parcelas diretamente da conta, do salário, do benefício previdenciário ou de outro valor recebido pelo consumidor.

O contrato não foi apresentado

O consumidor pede a cópia do contrato, mas o banco não apresenta documento claro, gravação, assinatura eletrônica válida ou comprovação efetiva da contratação.

A contratação pode ter ocorrido por fraude

Também é possível que terceiros tenham utilizado dados pessoais do consumidor para contratar o empréstimo sem autorização.

 

O Bradesco pode cobrar um empréstimo que o cliente não contratou?

Em regra, o banco precisa comprovar que houve contratação válida, autorização do consumidor e disponibilização clara das informações sobre a operação.

Não basta apenas dizer que o contrato existe. A instituição financeira deve demonstrar como o empréstimo foi contratado, quando foi contratado, qual canal foi utilizado, quais documentos foram apresentados e de que forma o consumidor manifestou sua vontade.

Nos casos em que o consumidor nega a contratação, pode ser aplicada a inversão do ônus da prova, prevista no Código de Defesa do Consumidor, para que o banco comprove a regularidade da operação.

Além disso, instituições financeiras respondem objetivamente por falhas na prestação do serviço, inclusive em situações envolvendo fraudes bancárias relacionadas à atividade financeira.

O que fazer ao identificar um empréstimo não contratado no Bradesco?

1. Tire prints do aplicativo

Registre imagens da tela onde aparece o empréstimo, o número do contrato, o valor liberado, a quantidade de parcelas, a taxa de juros e os descontos realizados.

2. Verifique se houve depósito do valor

Confira se o valor do empréstimo entrou na sua conta. Caso tenha entrado, registre a data, o valor e não utilize a quantia antes de receber orientação adequada.

3. Solicite a cópia do contrato ao Bradesco

Peça formalmente ao banco a cópia integral do contrato, incluindo assinatura, gravação de voz, confirmação digital, IP de acesso, geolocalização, biometria ou qualquer outro elemento usado para validar a contratação.

4. Abra reclamação no SAC e na Ouvidoria

Anote todos os protocolos. Essa etapa é importante porque cria prova de que você tentou resolver o problema administrativamente.

5. Registre reclamação no Banco Central e no consumidor.gov.br

O Banco Central permite o registro de reclamações contra instituições financeiras, embora informe que não interfere diretamente na relação individual entre consumidor e banco. Mesmo assim, a reclamação pode ser útil para documentar a tentativa de solução administrativa.

No caso de empréstimo consignado não reconhecido, o próprio portal Gov.br orienta que reclamações e pedidos de exclusão sejam feitos pelo Portal do Consumidor.

6. Procure orientação jurídica

Se o banco não cancelar o contrato, não devolver os valores ou não apresentar prova válida da contratação, pode ser necessário avaliar uma ação judicial.

Quais provas são importantes nesse tipo de caso?

Para fortalecer o caso, é importante reunir:

  • Prints do aplicativo mostrando o empréstimo
  • Extratos bancários
  • Comprovantes dos descontos
  • Protocolos de atendimento
  • Reclamações feitas no SAC, Ouvidoria, Banco Central, consumidor.gov.br e Reclame Aqui
  • Respostas enviadas pelo banco
  • Cópia do contrato, se o banco enviar
  • Boletim de ocorrência, se houver indício de fraude
  • Comprovante de benefício, salário ou renda, quando os descontos atingirem verba alimentar

Quanto mais organizado estiver o conjunto de provas, maior será a possibilidade de demonstrar a falha bancária e o prejuízo sofrido.

É possível cancelar o empréstimo não contratado?

Sim, dependendo do caso, é possível pedir o cancelamento do empréstimo, a declaração de inexistência da dívida e a suspensão dos descontos.

Quando há urgência, também pode ser analisado o pedido de tutela de urgência para tentar interromper os descontos enquanto o processo ainda está em andamento.

Esse pedido costuma ser especialmente relevante quando os descontos atingem salário, aposentadoria, pensão, benefício previdenciário ou valores essenciais para a subsistência do consumidor.

O consumidor pode pedir devolução dos valores descontados?

  • Sim. Se forem comprovados descontos indevidos, o consumidor pode pedir a restituição dos valores cobrados.

    Em algumas situações, também pode ser discutida a devolução em dobro, com base no Código de Defesa do Consumidor, especialmente quando a cobrança indevida não decorre de erro justificável.

    A análise, porém, depende das provas do caso concreto e da forma como a cobrança ocorreu.

Empréstimo não contratado gera dano moral?

Pode gerar, mas não é automático em todos os casos.

O dano moral tende a ser discutido com mais força quando há descontos indevidos, comprometimento de renda, cobrança insistente, negativação, abalo financeiro relevante, fraude não solucionada ou conduta omissiva do banco após a reclamação do consumidor.

Em casos envolvendo operações bancárias fraudulentas, o STJ já reconheceu a responsabilidade da instituição financeira quando há falha no dever de segurança, especialmente diante de movimentações incompatíveis com o perfil do cliente.

Por outro lado, há decisões que afastam o dano moral quando entendem que a operação era aparentemente válida ou quando não houve prejuízo relevante demonstrado. Por isso, cada caso precisa ser analisado individualmente.

O banco precisa provar que o consumidor contratou o empréstimo?

Sim. Quando o consumidor afirma que não contratou o empréstimo, o banco deve apresentar elementos capazes de comprovar a regularidade da operação.

Essa prova pode incluir contrato assinado, biometria, gravação, logs de acesso, confirmação eletrônica, token, IP, geolocalização e demais dados de validação.

Se o banco não apresenta prova suficiente, pode ser reconhecida a inexistência da dívida, a irregularidade dos descontos e a falha na prestação do serviço.

Cuidado com propostas de renegociação

Um erro comum é aceitar uma renegociação do empréstimo apenas para tentar resolver rapidamente o problema.

Isso pode prejudicar a discussão, porque o banco pode alegar que o consumidor reconheceu a dívida.

Antes de aceitar qualquer acordo, parcelamento, refinanciamento ou renegociação, o ideal é avaliar se o empréstimo é realmente devido e se há prova válida da contratação.

Como a Lucio Jorge Advocacia pode ajudar

A Lucio Jorge Advocacia atua na defesa de consumidores em ações bancárias contra bancos, com análise de casos envolvendo cancelamento de contas de maneira indevidanegativação indevida, falha na prestação de serviços financeiros e contratações não reconhecidas.

Se teve um emprestimo não contratado, o ideal é buscar orientação jurídica para analisar os documentos, verificar a legalidade do bloqueio e definir a melhor estratégia para tentar resolver o caso administrativa ou judicialmente.

Perguntas Frequentes:

O primeiro passo é reunir provas, como prints do aplicativo, extratos bancários, número do contrato, valores descontados e protocolos de atendimento. Depois, solicite formalmente ao Bradesco a cópia do contrato e a comprovação da contratação. Se o banco não resolver, pode ser necessário avaliar uma medida judicial.

O banco só pode descontar valores se houver contratação válida e autorização do consumidor. Quando o cliente não reconhece o empréstimo, o Bradesco deve comprovar que a operação foi regularmente contratada. Caso não comprove, os descontos podem ser considerados indevidos.

Sim. Se for comprovado que o empréstimo não foi contratado ou que os descontos foram indevidos, é possível pedir a devolução dos valores cobrados. Dependendo do caso, também pode ser discutida a devolução em dobro, conforme o Código de Defesa do Consumidor.

Pode gerar, especialmente quando há descontos indevidos, comprometimento da renda, negativação, cobrança insistente ou falha do banco em resolver o problema após a reclamação do consumidor. No entanto, a indenização depende da análise das provas e das circunstâncias do caso.

 
 

Receba uma Avaliação Especializada do seu Caso

Preencha os dados ao lado e nossa equipe fará uma triagem técnica do seu caso em até 24h úteis. Se preferir algo imediato, clique no botão de WhatsApp abaixo.

Envie sua mensagem e retornaremos em até 24h úteis.
Dr. Lucio Jorge | OAB 260972
Dr. Lucio Jorge | OAB 260972

Sou advogado especialista em Direito do Consumidor e Digital, com forte atuação na defesa de vítimas de fraudes financeiras e crimes cibernéticos. Nossa missão a resolver problemas complexos da atualidade, como fraudes bancárias, bloqueios indevidos e a recuperação de contas de WhatsApp e Instagram.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *